11. out, 2017

INCIDÊNCIA DO CANCRO DA MAMA EM PORTUGAL E NO BRASIL

 

Neste mês de Outubro, o laço rosa entra em cena para expressar a união na luta contra o tipo de neoplasia mais comum entre as mulheres em Portugal, no Brasil e no mundo.

Laço Rosa 

PORTUGAL

Portugal não é excepção, mas está a conseguir ganhar muitas batalhas na guerra contra a doença. Em 2013, o país registou das mais baixas taxas de mortalidade na Europa, ao lado de países como a Espanha, Estónia, Suécia e Finlândia. Segundo o relatório da OCDE "Health at Glance: Europa 2016", o acesso a programas de detecção precoce dos tumores é uma das chaves do sucesso.

 

QUASE 90% DAS MULHERES RASTREADAS, EM PORTUGAL

No documento, consta que o carcinoma da mama fez menos de 30 vítimas mortais por cada 100 mil mulheres, quando a média na Europa a 28 rondou as 33,2 vítimas. Os autores correlacionam a sobrevivência com o rastreio. Na Europa, a cobertura varia entre 54% a 63% de cobertura da população feminina, mas em Portugal os valores ultrapassam os 80%.

Cancro da mamam - GETTY
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A OCDE salienta ainda os progressos obtidos no tratamento, permitindo que um número cada vez maior de mulheres continuem vivas nos cinco anos seguintes ao diagnóstico. Também aqui Portugal está entre os melhores, com taxas muito próximas dos 90%.

Os dados são animadores, pois "o cancro da mama é a forma de cancro mais prevalente entre as mulheres nos países europeus", salientam os autores. E deixam um alerta: "Uma em cada nove mulheres vai ter um cancro da mama e um terço vai morrer da doença." Entre todos os carcinomas, os tumores malignos da mama são os mais comuns, com 13,8% de incidência em 2012, os dados mais recentes disponibilizados pelo relatório.

HOMENS MAIS VULNERÁVEIS AO CANCRO, EM PORTUGAL

Os carcinomas da próstata (13,6%), color-rectal (13%) e pulmão (11,8%) são os tumores que se seguem na lista dos mais frequentes. "Estes quatro cancros representam mais de metade de todos os novos cancros estimados para a União Europeia (UE)." Em 2012, cerca de 2,7 milhões de novos cancros foram diagnosticados entre os países da UE, 54% entre a população masculina e 46% entre as mulheres.

Em Portugal, a diferença entre homens e mulheres é ainda mais evidente e sublinhada pelos peritos da OCDE. "Em 2013, a diferença entre sexos foi particularmente evidente na Letónia, Estónia, Lituânia, Republica Checa, Espanha e Portugal, com as taxas de mortalidade nos  homens mais de duas vezes superiores às das mulheres". A maior prevalência de factores de risco e a menor disponibilidade de métodos de rastreio para os cancros que mais afectam a população masculina são os factores apontados para justificar a menor sobrevivência após o diagnóstico de doença oncológica.

Os investigadores salientam que, de facto, a mortalidade por cancro tem vindo a diminuir desde 2000. Contudo, esse decréscimo tem sido "mais modesto" do que o verificado nas doenças cardiovasculares, a primeira causa de morte entre a maioria dos países europeus.

Números mais recentes, do Instituto Nacional de Estatística e da Direção-Geral da Saúde, e publicados em Fevereiro pelo Expresso, mostram que o cancro da mama matou 1681 mulheres em 2014, mais 22 do que no ano anterior, e que o cancro da próstata fez 1786 vítimas, 69 acima dos óbitos em 2013. Já as doenças cérebro-cardiovasculares, como o AVC e o enfarte, mataram mais de 32 pessoas em Portugal em 2014.

Nuno Miranda, director do Programa Nacional para as Doenças Oncológicas, diz estar "muito contente com o relatório, que mostra o que vem acontecendo há alguns anos com a redução da mortalidade, sobretudo as mortes precoces". O oncologista salienta os bons resultados obtidos no cancro da mama, mas também nos tumores malignos do pulmão: "Portugal e a Suécia têm a menor mortalidade."

GENÉTICA PROTEGE AS PORTUGUESAS

No caso dos carcinomas da mama, o médico admite que a população pode ter factores genéticos que a protegem. "Na Dinamarca, por exemplo, os resultados são maus e trata-se de um país muito organizado, que não deixas as coisas a meio, e com recursos, mas que pode ter características genéticas entre as mulheres que fazem aumentar o risco."

Por cá, os estilos de vida podem vir a mudar o cenário. "Um dos factores protectores contra o cancro da mama é a idade com que se amamentou e que tem vindo a ser adiada. No entanto, hoje também é mais raro existir uma mãe que não amamenta. Ainda não sabemos em que sentido poderão ir estas alterações."

Na opinião do médico, "Portugal está a diminuir a distância face aos países mais desenvolvidos". Salienta, no entanto, "que é curiosos o facto de mesmos assim os portugueses são dos europeus que têm pior percepção da sua saúde".

 

 BRASIL

Já no Brasil é o tipo de neoplasia mais comum entre as mulheres, depois do de pele não melanoma. Responde por cerca de 28% dos novos casos a cada ano e, em Belo Horizonte, tem taxa bruta de incidência de 75,6 em cada 100 mil habitantes. Em Minas, esse número é de 48,19. Diagnósticos com maior eficácia, tratamentos cada vez mais individualizados e medicamentos modernos fazem diminuir o desconforto e elevar a auto-estima e as chances de cura das guerreiras para quem só importa vencer a doença e continuar a  viver..

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (Inca), serão registrados no país 596 mil novos casos de câncer em 2017. Entre os homens, são esperados 295,2 mil novos casos, e entre as mulheres, 300,8 mil. Desses, 57.960 serão novos casos de câncer de mama. A expectativa é de que Minas Gerais tenha 8,9% desse total, com 5.160 doentes. Na capital, a estimativa é de 1.030 mulheres acometidas pela enfermidade. Os números são bem superiores ao segundo tipo de câncer mais incidente entre o público feminino – cólon e recto, com 1.530 e 360 novos casos, respectivamente.

Apesar dos números alarmantes, a prevenção não é nenhum bicho-papão. Cerca de 30% dos casos de cancro da mama podem ser evitados com a adopção de hábitos saudáveis, como actividade física regular, alimentação saudável, peso corporal adequado, evitando-se o consumo de bebidas alcoólicas e a amamentação.

A consultora imobiliária Sidínia Elian Zaidan, de 58 anos, que em 1998 precisou retirar a mama por causa da doença, reconstruiu o órgão e também a vida. Mulheres como ela dão exemplo e servem de inspiração: “Eu não me dou o direito de desistir. Tenho os meus traumas, mas não é o câncer de mama que me deixa triste”.

Sidinia Elian Zaidan, 58, retirou a mama em 1998. Reconstruiu o órgão e a vida.Sidinia Elian Zaidan, 58, retirou a mama em 1998. Reconstruiu o órgão e a vida.

SEM CAUSA DEFINIDA

Ao contrário de outros tipos de cânceres, o de mama não apresenta origem específica. Há vários factores associados, entre eles, comportamentais, ambientais, hormonais e genéticos.

A cada seis horas, uma mulher recebe o diagnóstico de câncer de mama no Brasil. Por isso, tudo o que se falar sobre a doença ainda é pouco. Também pudera, este é o tipo de neoplasia que mais atinge pacientes em todo o mundo e no país. Números alarmantes dão a dimensão da importância de se discutir o assunto em escala superior. Para este ano, são esperados 57.960 novos casos. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (Inca), a incidência tende a crescer progressivamente a partir dos 40 anos. A mortalidade também aumenta progressivamente com a idade. Na população feminina abaixo dessa faixa etária ocorrem menos de 10 óbitos a cada 100 mil mulheres. Já a partir dos 60 anos, o risco é 20 vezes maior.

De acordo com o presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia/Regional Minas Gerais, Waldeir José de Almeida Júnior, embora com tantas informações e campanhas, o câncer de mama tem números altos por causa de uma particularidade: a maioria dos cânceres tem causa definida, mas esse não. “Há vários factores associados, entre eles, comportamentais, ambientais, hormonais e genéticos. Em função disso, não tem como actuar em uma causa específica”, afirma o mastologista.

Ele ressalta que o aumento da incidência está relacionado, principalmente, a factores comportamentais. Sabe-se que o uso de álcool aumenta a incidência. Assim como falta de actividade física, obesidade, uso de hormônios, o fato de a mulher não ter filhos ou tê-los tardiamente (depois de 35 anos), amamentar pouco. “Tudo que não havia no passado agora tem, e muito. Mas vários factores de risco são modificáveis. Você pode modificar em relação à obesidade, actividade física e ingestão de gorduras saturadas”, destaca.

Outro factor é o aumento do diagnóstico precoce em razão do rastreamento feito por meio da mamografia, preconizado pela Sociedade Brasileira de Mastologia para ser feita anualmente em mulheres a partir dos 40 anos. No sistema público, no entanto, a realidade é outra. O Inca recomenda que seja feita entre os 50 e os 69 anos, a cada dois anos, deixando, nesse intervalo, milhares de pacientes vulneráveis à doença. “Não concordamos com essa recomendação, pois sabemos que 23% dos cânceres de mama ocorrem em mulheres com menos de 50 anos. A idade é um factor de risco isolado. A pessoa mais velha tem mais chance de ter a doença que uma mais jovem sem doença de base ou comorbidade” (*) , ressalta Waldeir Júnior.

(*) associação de pelo menos duas patologias num mesmo paciente.

 

Mandy MartinsPereira escreve de acordo com a antiga ortografia.

 

 

Fontes: Expresso/Saco e Portal Uai