7. dez, 2017

Parece às vezes que desperto

 

Parece às vezes que desperto
E me pergunto o que vivi;
Fui claro, fui real, é certo,
Mas como é que cheguei aqui?
(...)
Entendo, como um carrossel,
Giro em meu torno sem me achar...
(Vou escrever isto num papel
Para ninguém me acreditar...)

Fernando Pessoa (11-2-1931)

Poesias Inéditas (1930-1935).

Fotografia : Candida Bota