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13. jan, 2018

 

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Sentimos a felicidade, mas não somos capazes de explicá-la ou apalpá-la. A  felicidade é feita de  momentos perdidos, mas não esquecidos. De caminhos seguidos. De atalhos. A Felicidade não se vê, não se ouve, mas saboreia-se.

Aristóteles, após ter feito uma análise e um estudo da psicologia humana, verificou que em todos os seus actos o homem orienta-se, necessariamente, pela ideia do bem e da felicidade e que nenhum dos bens comummente procurados (a honra, a riqueza, o prazer) preenche esse ideal de felicidade. A felicidade não está ligada aos prazeres ou às riquezas, mas à actividade prática da razão. Na sua opinião,  a capacidade de pensar é o que há de melhor no ser humano, uma vez que a razão é nosso melhor guia e dirigente natural.   Se o que caracteriza o homem é o pensar, então esta e sua maior virtude e, portanto, reside nela a felicidade humana. 

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Na realidade, existem pessoas maravilhosas que se movimentam com passos firmes sobre a face da Terra. Grandes homens, grandes mulheres, pessoas fantásticas que conseguem superar toda e qualquer  desesperança. Tenho a sorte de conhecer algumas e de poder contá-las como amigas e tento compreender como conseguem levar a vida de uma forma tão superior à maioria. Observo as suas acções com atenção, tento ler os seus gestos, para aprender com eles  procurando onde reside  o mistério.

De tanto as observar, consegui descobrir alguns pontos em comum entre todas elas e o que mais me deslumbra é que todas são felizes. A felicidade, essa meta por vezes impossível, é parte delas, está na sua génese, no seu ADN. Vivem o seu dia-a-dia e desfrutam de uma alegria de viver genuína, leve, discreta, qual árvore plantada nas suas  almas, cuja raiz nenhuma força consegue arrancar.

Nenhum dos felizes que conheço tem uma vida perfeita. Não são famosos; nenhum é rico, alguns vivem mesmo com muito pouco. Nenhum tem uma saúde impecável, ou uma família sem problemas. Todos enfrentam ou enfrentaram dissabores de vária ordem. Mas continuam discretamente felizes. 

Há, todavia, uma qualidade que todos têm em comum: a generosidade. Mais do que isso: todos têm prazer em ajudar, dividir, dar. Ajudam com um enorme sorriso no rosto, com verdadeira vontade e sentem-se suficientemente bem para nunca cobrar ou lembrar o que fizeram, jamais pedindo algo em troca.

Os felizes costumam oferecer ajuda antes que se peça. Ficam inquietos com as dores dos outros, querem colaborar de alguma forma. São sensíveis e identificam as necessidades alheias mesmo antes de receber qualquer pedido. Os felizes, sobretudo, oferecem o seu tempo, horas da sua vida, às vezes, dividem o que têm, mesmo quando é muito pouco.

Inveja

Também costumo observar os infelizes: normalmente são egoístas. A maior parte das vezes negam qualquer favor, mesmo que insignificante; reagem com irritação ao mínimo pedido e, quando o fazem, não perdem a oportunidade de relembrá-lo, quase cobrando medalhas e exigindo o recibo. Não gostam de ter a sua rotina perturbada por solicitações dos outros. Se fazem um favor qualquer, calculam sempre o seu próprio benefício e continuam assim, cada vez mais infelizes.

Uma outra qualidade notável das pessoas felizes é a sua capacidade de sentirem alegria com o êxito dos outros. Os felizes vibram tanto com o sorriso alheio que parece um contágio. Eles costumam dizer: estou tão contente como se fosse comigo. Talvez seja um segredo da felicidade, até porque os infelizes fazem o contrário. Tratam rapidamente de encontrar um defeito no júbilo do outro, ou de ignorar a boa nova que acabaram de ouvir, continuando infelizes.

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Na minha opinião, o último, mas não menos importante, hábito dos felizes é saberem aceitar. Acima de tudo, saberem aceitar os outros, com todos os seus defeitos, com as suas imperfeições; serem capazes ouvir sem julgar, conseguirem opinar sem diminuir e saberem qual a hora de calar. Saberem, sobretudo, rir da maneira de ser de seus amigos. Sorrir é uma forma sublime de dizer: gosto de ti e todas as tuas pequenas loucuras.

Quantas vezes relembro o rosto de mulheres e homens fantásticos, que passaram ou que estão na minha vida. Ainda não sou uma daquelas. Ainda não me considero feliz, mas continuo a tentar. Continuo a procurar aprender com eles a acender a luz genuína e perene da alegria na Alma. Sigamos os felizes, pois só eles conhecem o caminho...

 

Mandy Martins-Pereira escreve de acordo com a antiga ortografia.

 

Bibliografia:

Aristóteles. Ética a Nicómaco.

Costa, José S. Tomás de Aquino: a razão a serviço da fé

Socorro Acioli

 

Imagens : Web

1. jan, 2018

Shakespeare dizia:

"Eu sinto-me sempre feliz, sabe por quê?

Porque eu não espero nada de ninguém.

As expectativas magoam-nos sempre... a vida é curta.

Então ame a sua vida, seja feliz e mantenha sempre um sorriso no rosto.

Viva a vida para si e antes de falar, escute.

Antes de escrever, pense.

Antes de gastar, ganhe. Antes de orar, perdoe.

Antes de magoar, sinta.

Antes de odiar, ame.

Antes de desistir, tente.

Antes de morrer. Viva!!"

Fotografia : Um casal a beijar-se na Times Square, New York City, na véspera do Ano Novo, 1959, by: Henri Cartier-Bresson..

21. dez, 2017
8. dez, 2017

"É preciso coragem para terminar uma história de amor. E por mais que magoe, entristeça e dilacere, chega um momento em que sabemos que não há outra alternativa, senão ter coragem para baixar as armas cansadas. Para anunciar o cessar-fogo. Para hastear bandeira branca. Para parar de brincar de vítima e algoz. De gato e rato. De queda de braço. É preciso coragem para retomar a própria vida. Para reaprender a estar consigo mesmo. Para se permitir começar tudo de novo, quando o novo vier. Para não se fechar o coração à perspectiva de que aconteça essa que é uma das melhores dádivas: amar e ser amado, olhar e ser olhado, ao mesmo tempo."

Ana Jacomo

7. dez, 2017

 

Parece às vezes que desperto
E me pergunto o que vivi;
Fui claro, fui real, é certo,
Mas como é que cheguei aqui?
(...)
Entendo, como um carrossel,
Giro em meu torno sem me achar...
(Vou escrever isto num papel
Para ninguém me acreditar...)

Fernando Pessoa (11-2-1931)

Poesias Inéditas (1930-1935).

Fotografia : Candida Bota