O MEU BLOG

4. fev, 2018
Me olho no espelho
E não vejo quem desejo
Estou a me desmanchar.
Não são os mesmos
O contorno dos meus olhos
Da minha boca
Dos meus braços
Dos meus seios
Do meu corpo
Me horrorizo.
Meu grito mudo
Estilhaça o espelho
Em mil pedaços
Quase desesperada
Penso
Ainda não é meia-noite
E já estou perdendo meu encanto?
Quero parar o tempo.
Recuperar o meu rosto
O meu corpo de ontem
Tento me inventar outra
E me vejo a praguejar
Tempo infinito
Tempo Maldito
Porque insiste em
Me fazer passar?
Porque passo pela dor de mudar?
Respiro
Aos poucos me serenizo.
E o trem para em outra estação
Que não é exatamente a do Verão
Mas  que me faz concluir
Que o que senti há pouco
É quase uma bobagem
Como posso impedir o tempo
De caminhar?
Se eternizo o meu corpo
Perco o lugar onde guardar
As histórias que tenho pra contar.
E são elas
Minhas riquezas
Meu ouro
Concluo
Entre chateada e encantada
 Que é da lei
Da vida
Do tempo
Tudo estar em movimento.
E que tudo é circular.
Se eles levam parte de mim agora
Paciência
Num outro tempo
De outra forma
Talvez em outro lugar
O Cosmo dará um jeito
E de novo
E inteira
Eu volto a brotar.
 
Lisa Santana
15. jan, 2018

Aproximo-me da noite 

o silêncio abre os seus panos escuros 
e as coisas escorrem 
por óleo frio e espesso

Esta deveria ser a hora 
em que me recolheria 
como um poente 
no bater do teu peito 
mas a solidão 
entra pelos meus vidros 
e nas suas enlutadas mãos 
solto o meu delírio

É então que surges 
com teus passos de menina 
os teus sonhos arrumados 
como duas tranças nas tuas costas 
guiando-me por corredores infinitos 
e regressando aos espelhos 
onde a vida te encarou

Mas os ruídos da noite 
trazem a sua esponja silenciosa 
e sem luz e sem tinta 
o meu sonho resigna

Longe 
os homens afundam-se 
com o caju que fermenta 
e a onda da madrugada 
demora-se de encontro 
às rochas do tempo.

MIA COUTO

Tela: A Mulher Só
De Angela Felipe - Arte

13. jan, 2018

 

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Sentimos a felicidade, mas não somos capazes de explicá-la ou apalpá-la. A  felicidade é feita de  momentos perdidos, mas não esquecidos. De caminhos seguidos. De atalhos. A Felicidade não se vê, não se ouve, mas saboreia-se.

Aristóteles, após ter feito uma análise e um estudo da psicologia humana, verificou que em todos os seus actos o homem orienta-se, necessariamente, pela ideia do bem e da felicidade e que nenhum dos bens comummente procurados (a honra, a riqueza, o prazer) preenche esse ideal de felicidade. A felicidade não está ligada aos prazeres ou às riquezas, mas à actividade prática da razão. Na sua opinião,  a capacidade de pensar é o que há de melhor no ser humano, uma vez que a razão é nosso melhor guia e dirigente natural.   Se o que caracteriza o homem é o pensar, então esta e sua maior virtude e, portanto, reside nela a felicidade humana. 

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Na realidade, existem pessoas maravilhosas que se movimentam com passos firmes sobre a face da Terra. Grandes homens, grandes mulheres, pessoas fantásticas que conseguem superar toda e qualquer  desesperança. Tenho a sorte de conhecer algumas e de poder contá-las como amigas e tento compreender como conseguem levar a vida de uma forma tão superior à maioria. Observo as suas acções com atenção, tento ler os seus gestos, para aprender com eles  procurando onde reside  o mistério.

De tanto as observar, consegui descobrir alguns pontos em comum entre todas elas e o que mais me deslumbra é que todas são felizes. A felicidade, essa meta por vezes impossível, é parte delas, está na sua génese, no seu ADN. Vivem o seu dia-a-dia e desfrutam de uma alegria de viver genuína, leve, discreta, qual árvore plantada nas suas  almas, cuja raiz nenhuma força consegue arrancar.

Nenhum dos felizes que conheço tem uma vida perfeita. Não são famosos; nenhum é rico, alguns vivem mesmo com muito pouco. Nenhum tem uma saúde impecável, ou uma família sem problemas. Todos enfrentam ou enfrentaram dissabores de vária ordem. Mas continuam discretamente felizes. 

Há, todavia, uma qualidade que todos têm em comum: a generosidade. Mais do que isso: todos têm prazer em ajudar, dividir, dar. Ajudam com um enorme sorriso no rosto, com verdadeira vontade e sentem-se suficientemente bem para nunca cobrar ou lembrar o que fizeram, jamais pedindo algo em troca.

Os felizes costumam oferecer ajuda antes que se peça. Ficam inquietos com as dores dos outros, querem colaborar de alguma forma. São sensíveis e identificam as necessidades alheias mesmo antes de receber qualquer pedido. Os felizes, sobretudo, oferecem o seu tempo, horas da sua vida, às vezes, dividem o que têm, mesmo quando é muito pouco.

Inveja

Também costumo observar os infelizes: normalmente são egoístas. A maior parte das vezes negam qualquer favor, mesmo que insignificante; reagem com irritação ao mínimo pedido e, quando o fazem, não perdem a oportunidade de relembrá-lo, quase cobrando medalhas e exigindo o recibo. Não gostam de ter a sua rotina perturbada por solicitações dos outros. Se fazem um favor qualquer, calculam sempre o seu próprio benefício e continuam assim, cada vez mais infelizes.

Uma outra qualidade notável das pessoas felizes é a sua capacidade de sentirem alegria com o êxito dos outros. Os felizes vibram tanto com o sorriso alheio que parece um contágio. Eles costumam dizer: estou tão contente como se fosse comigo. Talvez seja um segredo da felicidade, até porque os infelizes fazem o contrário. Tratam rapidamente de encontrar um defeito no júbilo do outro, ou de ignorar a boa nova que acabaram de ouvir, continuando infelizes.

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Na minha opinião, o último, mas não menos importante, hábito dos felizes é saberem aceitar. Acima de tudo, saberem aceitar os outros, com todos os seus defeitos, com as suas imperfeições; serem capazes ouvir sem julgar, conseguirem opinar sem diminuir e saberem qual a hora de calar. Saberem, sobretudo, rir da maneira de ser de seus amigos. Sorrir é uma forma sublime de dizer: gosto de ti e todas as tuas pequenas loucuras.

Quantas vezes relembro o rosto de mulheres e homens fantásticos, que passaram ou que estão na minha vida. Ainda não sou uma daquelas. Ainda não me considero feliz, mas continuo a tentar. Continuo a procurar aprender com eles a acender a luz genuína e perene da alegria na Alma. Sigamos os felizes, pois só eles conhecem o caminho...

 

Mandy Martins-Pereira escreve de acordo com a antiga ortografia.

 

Bibliografia:

Aristóteles. Ética a Nicómaco.

Costa, José S. Tomás de Aquino: a razão a serviço da fé

Socorro Acioli

 

Imagens : Web

1. jan, 2018

Shakespeare dizia:

"Eu sinto-me sempre feliz, sabe por quê?

Porque eu não espero nada de ninguém.

As expectativas magoam-nos sempre... a vida é curta.

Então ame a sua vida, seja feliz e mantenha sempre um sorriso no rosto.

Viva a vida para si e antes de falar, escute.

Antes de escrever, pense.

Antes de gastar, ganhe. Antes de orar, perdoe.

Antes de magoar, sinta.

Antes de odiar, ame.

Antes de desistir, tente.

Antes de morrer. Viva!!"

Fotografia : Um casal a beijar-se na Times Square, New York City, na véspera do Ano Novo, 1959, by: Henri Cartier-Bresson..

21. dez, 2017